Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Era bom que nos entendessemos

Tenho lido muita opinião sobre o absentismo dos Deputados do PSD. Muitas delas acertadas, outras nem tanto. É importante que sejamos claros sobre esta matéria. Pondo de parte este conflito social que opõe "governo vs professores", pergunto se é novidade no parlamento português estas ausências em massa dos nossos representantes? Ou melhor, se é caracteristica - ou defeito, neste caso - exclusivo dos Deputados do PSD?

Convirão que não é. Aliás, basta passar o dedo pelo comando até ao Canal Parlamento ou - para quem tiver tempo - assitir a uma qualquer sessão na Assembleia da Republica, para se constatar que não é.

Claro que isto não justifica o injustificavel. Em tese, o Deputado deve exercer as funções de Deputado. O que me leva a concordar com o acertado Pedro Correia.

Mas o problema é bem mais grave e profundo do que a desresponsabilização pessoal de quem exerce a função. Desde logo, porque, em Portugal, existem determinados complexos que não são fáceis de ultrapassar. Continuo sem perceber que se tenha medo de assumir a "profissionalização da politica", ou seja, que a partir de determinada altura na vida de um politico - seja ela quando for - não se assuma que o cargo a desempenhar seja feito a tempo inteiro e de forma incompativel com qualquer outra actividade. Ora, é mais do que obvio que enquanto os nossos Deputados exercerem funções paralelas à sua actividade politica, a responsabilidade, a dedicação e a seriedade a que o cargo obriga estará posta em causa.

 

É por isso que Paulo Portas é elogiado. É por isso que desempenha bem a sua função. Alguém conhece outra actividade a Portas desde que é político? Ninguém. Por isso muitas vezes é eficaz. O mesmo não se pode dizer do PSD ou do PS.

Em segundo lugar, é importante percebermos que este sistema politico está velho e necessita urgentemente de revisão. A exigência publica de hoje não é a mesma de há 30 anos. O Mundo mudou. Esta Aldeia Global, citando McLuhan, não permite que quem exerce funções publicas não as assuma na sua plenitude. Talvez seja uma questão de educação, como diz o amigo da Ana Margarida Craveiro ( e sobre o seu comentário cara Ana deixe-me dizer-lhe que discordo que se associem as Jotas a este estado de coisas. Só poderá afirmar isso quem não conhece os partidos, as jotas, mas acima de tudo o parlamento. Não é o seu caso! Se a carissima Ana estiver atenta facilmente perceberá que os faltosos não fizeram jota. Não tiveram idade para isso. Mas o brilhantismo e a inteligência - que a Ana reconhecidamente tem - também tem destas coisas).

Muito ainda será dito. Os arautos da blogoesfera e da comunicação social, julgarão continuadamente a atitude, como se de um caso isolado se tratasse. Isso é fugir ao problema.

 

Uma pequena nota final. Parece que a JSD defende a publicação dos nomes dos deputados faltosos. Ainda que estejam a fazer um favor a Manuela Ferreira Leite, regista-se a irreverência. Está a ver Ana, nem tudo é mau.

 

publicado por Sérgio de Azevedo às 12:23
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